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29/08/2018 - UOL Notícias

App que reconhece rostos em redes sociais pode criar golpes personalizados


Por: Rodrigo Lara

Não negue: você provavelmente já deu uma boa bisbilhotada em perfis alheios de redes sociais como o Facebook ou Instagram, não é? Existe até um termo para isso, chamado "stalkear" - que, por sua vez, deriva da palavra stalker, que em inglês equivale a algo como bisbilhoteiro ou perseguidor.

Se essa atitude, quando levada adiante por uma só pessoa, tem um potencial mínimo de causar problemas, imagine só se o processo envolver inteligência artificial, capaz de bisbilhotar milhares de perfis?

Essa a ideia do Social Mapper, uma ferramenta de reconhecimento facial com código aberto lançada no início deste mês. Ao menos em sua concepção, tinha uma causa nobre: ajudar hackers "do bem" e consultorias a identificar possíveis vulnerabilidades no dia a dia de uma empresa, checando o que funcionários compartilham em suas redes e ajudando a corrigir possíveis comportamentos arriscados.

Ela faz isso ao mapear o rosto de alguém e executar uma varredura por oito redes sociais distintas (Facebook, Twitter, LinkedIn, Google+, Instagram e plataformas regionais como VKontakte e Weibo). Essa pesquisa é feita apenas fornecendo uma lista de nomes e uma foto das pessoas.

O funcionamento é simples: você apresentar uma foto e um nome, e a ferramenta encontra os perfis e materiais relacionados a essa combinação "foto+nome".

Os resultados ainda trazem fotos de terceiros publicadas que tenham a pessoa buscada.

"Tecnologias do tipo podem ajudar ao serem utilizadas, por exemplo, para monitorar o acesso de pessoas às empresas, permitindo que indivíduos que apresentam algum tipo de comportamento nocivo possam ser identificados. Outro possível uso seria pelas instituições policiais na busca por pessoas desaparecidas e criminosos por meio de investigações em redes sociais", afirma Emilio Simoni, diretor do dfndr lab, laboratório especializado em cibersegurança da PSafe.

Lado ruim

Nem tudo são elogios e boas perspectivas quando falamos do Social Mapper. O principal temor, nesse caso, é que a ferramenta criada pela empresa de segurança de dados Trustwave também pode ser utilizada por pessoas não tão bem intencionadas.

Entre os riscos em potencial estão o de identificar padrões de comportamento que permitiriam tentativas de golpes personalizados - por exemplo, identificar que você vai ao bar toda semana e criar um anúncio falso de promoção de cerveja para roubar seus dados.

Ou, ainda, a realização abordagens criminosas pessoalmente: bandidos perceberem por fotos que você frequenta o mesmo bar toda semana e usar isso para realizar um sequestro.

"Os cibercrimonosos sempre podem achar formas maliciosas de usar qualquer tipo de ferramenta disponível e neste caso não é diferente. Ela pode facilitar o trabalho de stalking, realizando pesquisas em redes sociais para fazer um levantamento de informações de pessoas com um determinado tipo de perfil desejado", explica Simoni.

Apesar do risco em potencial, a Trustwave acredita que a sua ferramenta não será um diferencial na atuação de hackers.

A razão para isso, em vez de ser tranquilizadora, é mais perturbadora. Segundo um porta-voz da empresa, em entrevista ao site "Gizmodo", é bem provável que hackers "já tenham acesso e usem ferramentas do tipo".

A opinião de que esse tipo de tecnologia já esteja sendo usada pelos hackers é corroborada por Simoni, que aponta que os cibercriminosos "sempre buscam usar toda tecnologia disponível para realizar suas ações".

O especialista, no entanto, faz uma ressalva. Para ele, "não é possível afirmar exatamente qual será o real impacto da disponibilidade dessa tecnologia para qualquer indivíduo que tiver interesse em usá-la".

Ainda que não haja unanimidade sobre os riscos que a ferramenta possa oferecer, ao menos parece haver consenso sobre a possibilidade de ela ser uma ajuda para quem está disposto a aumentar a segurança de empresas e usuários. Ou pelo menos é nisso que queremos acreditar.



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